Durante algum tempo mantive este blog desativado, postando em um outro. Escrevo, não para ser lido, mas para puro fluxo de consciência. É desabafo, creio. Resolvi voltar a postar. Não que eu queria, mas é bem mais barato do que pagar psicólogo.Achei um post que eu escrevi alguns anos atrás, e que eu gostaria de publicar aqui.§§§§§ Num vôo de Londres a Paris, sento-me ao lado de um senhor de cara cisuda e firme, olhos de um azul claro, vestido de terno beje e camisa social azul. Finjo que elas combinam com as calças verde estranho e me vejo, quase que num passe de mágica conversando com esse senhor russo de 40 anos, cujos adjetivos diversos que perfeitamente lhe caberiam, a verdade me impede de citar, simpático.
Olha pra mim e pergunta meu nome, e minha nacionalidade, digo que adivinhe a última e ele segue. Aliás, aqui cabe um parenteses. Fico intrigado como as pessoas são incapazes de destinguir de onde eu sou. Tenho uma mistura de raças é verdade. Sou alvo, tenho olhos de cor estranha, meu sotaque é Britânico, meu humor, mais ainda, mas tenho cara de judeu, ou árabe, o que preferirem, me visto como Francês e sou tão mal humorado quanto um Alemão, mas minha alma é total Brasileira. Adoro um barraco e genteBrasileira, embora em rodas de amigos, a mentira me impeça de assumir. A conversa segue e, uma vez em que o KGB da Silva tem a sua curiosidade saciada, começa a usual sabatina de perguntas a respeito do Brasil. É verdade que em Português ha palavras em que não se é possível traduzir, me pergunta o tal sujeito fugindo das minhas curiosidade nunca saciadas. Sim, respondo. Eu e ele quase em sintonia e em coro citamos: saudade. E o tal Russo me pergunta: Mas o que é saudade? Me explica! Pois em quase duas horas de vôo, não adiantou. Não consegui explicar.
Chego em Paris e no meu Diskman, ouço uma cópia de um CD da Cesária Évora, cantante do Cape Verde, a quem os créditos da cópia ilegal eu devo a minha vó, Ayalla, proprietária do original. Em uma música cantada em uma mistura de Creole e Português de Portugal, ela grita Sodade! Mas que raio de saudade é essa que a palavra eu conheço mas não consigo descrever?
Ainda é cedo, passa levemente do meio dia. O sol está em cima e ajuda acalmar o frio um pouco. As pessoas não sorriem. Normal pra Paris. Mas o dia esta bonito. Saio de onde estou alojado e caminho várias quadras até a Gare de Lyon. Pego a linha Rouge em direção a La Défense. Eu em mãos tenho um dicionário Inglês-Francês, pois me faltam palavras, sempre. Ao meu lado senta-se uma senhora, claramente Francesa, que em Inglês puxa assunto comigo. Adivinhem que pergunta ela me fez. Desta vez já parti e disse, sou Brasileiro. Oh, me diz ela, nem parece. Elogio penso eu? Deixa pra lá. Questiona-me onde estou indo e ao que respondo que para Montmatre, ela grita que estou indo para o lado errado. Rio, muito e, lhe explico que acho mais fácil fazer esse caminho. Eu, para mim, sabia que deveria descer em Les Halles e pegar outra linha até Barbès. E de lá caminhar mais cinco ou seis quadras até a Sacre Coeur. Bingo. Um a zero pra mim, penso. Ela sorri de canto, claramente irritada pela minha sagacidade geográfica, ao que me exclama. Só se o senhor estiver planejando passar a tarde na Champs Elysées, cavalheiro. Parece que Les Halles já passou. Merda falo em bom Português. Despeço-me da olho-grande Francesa e desço na Charles de Gaule, pego outra linha e desço em Anvers. Duas quadras até a Sacre Coeur, três a menos. Bingo, dois a um pra mim. Crétin!
Subo as escadas, e aquelas árabes nojentos querendo me vender coisas que eu serei obrigado a comprar caso as toque. Perco o folego correndo as escadas antes que eles me joguem uma bomba. Brincadeirinha. Odeio igrejas. Mesmo. Acho a arquitetura bonita e tal, mas me recuso a pagar por velas e tirar fotos de carola. Meu interesse na área é a Rue des Abbesses e a Place du Tertre. Depois do Boule Miche e Boule St Germain a parte mais legal de Paris. Sento-me num café de esquina, é inverno e estou sozinho. Mas da minha mesinha, sobre cuja a cadeira da frente apoio os meus pés, estou em aguardo à minha baguette de presunto de parma e meu café, que custarão, com certeza, mais do que meu orçamento para café me permite. Foda-se, de lá sou capaz de ver o domo da Catedral. O sol já não está tão forte, e é impressionante como me sinto só. No recanto da minha solidão começo a pensar em todas as pessoas que poderiam estar comigo naquela hora. Um amigo querido, meu irmão chato, meu pai ralhador, minha mãe mandona, meu avô, meus avôs, minhas vós. Minha vó.
Minha vó materna sempre foi do tipo desbravadora, européia, culta, viajada. Posso parecer feminista, mas embora seja homem, sempre achei as mulheres da minha família infinitamente mais fortes, mais corajosas, mais decididas que os homens. Não tenho intenção de generalizar. As histórias mais engraçadas, as fofocas de família, o gosto pela leitura, pela família, os bons exemplos, as maiores tragédias. Sempre aconteceu com as mulheres. Assim é minha vó materna. Meu exemplo em geral de como deve-se levar a vida.
Começo a me lembrar de alguns anos antes, quando meus pais saiam para os bailes e eu e meu irmão, e não raro meus primos, ficávamos vendo Viva a Noite, comendo sopa de caldo de Galinha, com letrinhas!, no frio do inverno Porto-Alegrense, na casa da minha vó paterna. Começo a me lembrar da minha vó materna, a quem tantas vezes Paris foi-lhe aconchego, referência, sonho, porto-seguro. E minha vó paterna. Lucinda. Começo a me lembrar do cheiro das roupas dela, e de como as mãos velhas, pareciam como papel. De como gritava conosco e como sempre me dava dinheiro entre as cuecas enquanto meus outros primos contentavam-se apenas com as cuecas, mesmo sabendo que os curtos fundos poderiam lhe fazer falta. Me lembro do jeito que ela me olhava quando brigava comigo, de como ela aparecia nos vídeos das festas aqui em casa imóvel, pensando ser foto. Me lembro do rosto dela, dos cabelos brancos e ralinhos, da força de união, dos almoços de Domingo e de quanto eu adoraria te-la ao meu lado, estivesse, na data, viva. Me lembrei principalmente dela, para quem Paris nunca foi um aconchego, referência, sonho, porto-seguro. Estar ali seria um sonho.
La estava eu, comendo uma baguete Francesa, com presunto Italiano, tomando um café certamente Sulamericano, olhando o domo da Sacre Coeur, com minha pela alva, com olhos de cor indeterminada, com meu sotaque Britânico, com meu humor, ainda mais, com minha cara de Árabe/Judeu, vestido como Francês e tão mal humorado como um Alemão, sentindo falta da minha vó Brasileira, que jamais lá pos os pés e da minha Européia, a quem tantas vezes lá os pos e tantas mais, se Deus quiser, porá.
E algumas horas mais tarde, tive a resposta do que era saudade. Se eu estava lá e pudi sentir todas essas coisas, foi porque a velha Lucinda me ensinou a ser gente, e a velha Ayalla de que o limite do mundo é do limite da minha língua. Acho que se eu encontrar o maldito Russo de novo, eu vou conseguir explicar pra ele, o que é saudade, e até o que é gratidão. Boa semana.
Coisas do Inverno?
Engraçado. Tenho andado com uma sensação muito estranha. É algo que me dá uma idéia de término, de finalização, de conclusão, mesmo que nada em minha vida, em meus projetos, tenha se encaminhado, nos últimos tempos, a um término ou conclusão. Pensei ser morte, mas espero que não!
Sob o pano de fundo, tenho a formatura de minha turma original, não tão original da faculdade que deve se formar em agosto. Milhões de pessoas já me perguntaram e me reperguntaram, pra checar, leia-se mãe, se não me arrependo de uma viagem mal ocorrida, pela qual perdi minha turma. A resposta é não! Sinto alguma coisa em relação à conclusão da etapa que eles agora o fazem? Sim. Alarme. Alarme porque sei que em breve chegará minha vez de me graduar. Não guardo arrependimentos deles, meus, nada. Na verdade isso é estranho, mas embora eu conviva bem com alguns deles, tenha um bom relacionamento com alguns poucos outros que valem a pena, poucos, confesso, senpre me senti à parte. Me sentia como um soldado solitário que marchava, dirigia-se, entendia tudo de uma forma diferente. Não sou produto da mídia, não sigo tendência impostas pela Rede Globo, não acho que ser piloto é a melhor coisa do mundo. Não gosto e acho ridícula a aviãção militar, feita pra matar, odeio frases clichés ditas por comandantes decadentes, não puxo o saco de pilotos, co-pilotos e afins, não concordo com o sistema brasileiro, tenho estado muito desgostoso com Porto Alegre, sou crítico, ácido, Byron, Baudelaire, sou toda a revolta junta que todos esses infelizes seguidores de alter-egos alheios deveriam ter. Não me agrada O.C., odeio Friends, tenho outra visão a respeito da aviação, que eles jamais terão.
Acho que não podemos ver as coisas como a sociedade nos manda ver. Bom, ruim, rico, pobre... Imaginem, que na visão de alguns dos meus ex-colegas, sou menos piloto porque não me moldei no que deveria ser um grande piloto. Não me formo com eles? Sou menos piloto ainda. Pobres coitados. Seguem tendências acreditando serem a vanguarda, se acham
totens da sociedade, mas não passam de mais puro cliché, common-place, ordinariedade. Até para ser um bom medíocre, é necessário ser muito bom, não parecer bom.
Tive um ano para pensar no que seria essa ruptura com a turma que imaginei me formar, e embora meus pais sugerissem, como normal, que seria extremamente dramático, não foi. Minha nova turma é muito melhor, não me importei tanto quanto eu pensei que iria, e somente agora, na eminência da formatura deles é que me importo? Não, mas é somente agora no inverno é que faz sentido. Certa vez me lembro de ter lido um livro do antropologista francês Clotaire Rapaille, que ironicamente escreve livros de auto-ajuda coorporativos, por pura gozação, e os vende muito bem. Nele, Clotaire dizia que o triunfo intelectual das sociedades setentrionais se dava, inclusive em níveis acadêmicos, sobre as sociedades meridionais, pela capacidade de concentração e de observação das chamas dos fogos das lareiras e fogueiras. Uma capacidade auto-avaliativa. Segundo ele, nada melhor para entender a si mesmo do que parar, e somente observar o movimento alheio. Não digo que a crítica seja a terapia, mas a simples observação já basta. Tirem uma folga de si mesmos, não tenham planos, os executem.
Perdi um primo meus aos 13 ou 14 anos de forma muito trágica. Saindo para o colégio de manhã cedo, o pai dele o pediu para que abrisse e fechasse a porta da garagem. O portão caiu em cima da cabeça dele, poupando-lhe o trabalho de a fechar, e décadas de vida. Dias mais tarde, ele morreu no hospital. Fico pensando... Que tipo de frustrações essas criança carregava, se, até o momento da morte, pouco teria podido planejar, executar? Ele acabou não cumprindo os desejos de mãe de talvez graduar-se médico, comprar uma casa enorme para se exibir aos parentes, não teve um carrão, acabou não mostrando boas notas nos boletins, acabou não sendo aplaudido pela sociedade-plebe entediada que dificulta o crescimento e desenvolvimento alheio tentando não ser ultrapassada. Tirar folga da gente, é uma coisa, tirar uma folga dessa vida medíocre de imposições, deveres e obrigações modernas, é mais importante. Tenho a impressão de que, somente as ovelhas-negras das famílias são felizes. Como diz Lizquinha Albrecht, não esperem eu cumprir meu protocolo. Observemos as chamas, o fogo. Boa semana a todos.
Estimulado pelos comentários, eufemisticamente falando, non-sense de minha querida mãe, do típo, "Não vai dar certo!", "Duvido que ela seja feliz", "Olha a miséria humana desta pobre criatura" e outras frases de conteúdo não menos "positivo", pus-me em movimento. Como dito no post anterior, o que importa não é o objetivo, mas o dinamismo. Vamos ao Nacional 24h. Comprar adivinhem o que? Chocolate, o mais famoso anti-depressivo, sim, eu tenho motivos né, não alopático, natural.
De família de origem judia, sabe como é, promoção, promoção. Encontrei a R$ 4,99 uma caixa de Especialidades Nestlé. Dentro da caixa encontravam-se alguns bom-bons onde claramente podiamos ler, atrás da aba de fechamento dos mesmos, em letras garrafais: AMOSTRA GRÁTIS. Estariam eles velhos, pensei como Baudelaire pensaria. O jovem Werther teria falado mais alto. Suicidar-me com bolachas maria às 2h da manhã? Muito trabalho, impensável! Mas sim, eu tinha motivos!!!
Vamos aos comentários maldosos, porque de Santo eu não tenho nada, nem consigo fingir, ao contrário da Monique Evans que reza, usa vibradores e os vende (há controvérsias), com a mesma naturalidade.
Chegando ao Nacional 24h, uma ilha de desenvolvimento da nossa Provínicia Alegre, me senti como que em um oásis do desenvolvimento, cheio de Latinos em volta, como na Flórida, quase uma réplica do Coconut Grove, por exemplo. Tudo de muito bom gosto, de tanto bom gosto que beira o forçado. Algo brega, portanto, no meu entender. Algo meio novela América. Juro que pensei ouvir uns "muuuuuuus" em alguns momentos, e posso jurar que vi figurantes enrolados em cobertores sendo perseguidos por um Del Rey-Belina ou uma Royalle, pelo estacionamento, e que em contextos Gloria-Perianos (Penianos seria engraçado...), fazem o mesmo efeito de uma Ford Ranger. Tá, OK, o lugar é legal. Tem uma pizzaria, e um café. Não é muito mais caro do que os outros supermercados, parece ser limpo, e tem negros trabalhando, e sendo tratados, olhem a evolução, como se fossem gente. Engraçado é que eles trabalham de madrugada. Acho que assim é melhor, não? "Menas gente" os vêem. Legal, entretanto, legal. Martha Medeiros irá ADORAR. A julgar pela inteligência, irá escrever umas 8 "colunas", ao contrário de mim, bem mais inteligente, que escrevo somente uma. Acho que a Martha Merdeiros irá gostar porque, afinal de contas, é bonito, mas não tem conteúdo, é expressivo, mas não diz nada (sim, isto é possível), é fake, mas afinal de contas, né? É Porto Alegre, quem liga?!
Habemus Papam
Sim, ele parece gay. Tem aquele je ne sais quoi de Baba Quase Perfeita, e quem diria, é igual a um Lulu da Pomerânia, raça de cachorro, não menos gay. Vide foto abaixo.

Lulu da Pomerânea

Bentinha da Pomerânea, em uma pose: "Você vai se ver comigooooo, mocréééia!"
POP Bostas
Tá certo que o cara faz música legal, mas esse look revolucionário-maltrapilho-anacrônico-dos-anos-70 não cai muito bem a ele. Tom Zé, é típico artista que, como os Gorillaz (ainda existe isso?), não devia aparecer. Que coisinha mais bem... enfim. As músicas são muito legais, mas ele faz estilo, sabe, POP POBRE. Sim, no Brasil, tudo é pop. Bastou Calvin Klein vir ao Brasil dar o cu (não leva acento não!), é todos acham "ótemo" que ele venha dar o cu por aqui. Todo mundo noticia, "Calvin Klein [...] gay [...] GLS [...] dando o cu." Que de última, como diria Lissinha! Tipo, até Carla Perez é POP. Gugu, é POP. Aqui tem de tudo! Pop puta, pop assassina (embora eu não ache que Angela Bismarchi tenha matado o Ox!), pop traficante. Tudo é brega, mal-feito, pop.
Existe também os POP Família. Vejamos, dizem por aí que toda família que se preza tem que ter um militar, uma puta ou gay, um viciado ou bêbado e uma ovelha negra. Sou, com orgulho, a ovelha negra! Minha missão é descobrir quem é quem na minha família. Pode fazer dos dois lados, pai e mãe. Depois, se você souber escrever bem, coisa que Martha Medeiros, Davi Coimbra, Lazier Martins, etc, etc, etc (RBS, sabe) não sabem, você pode escrever um livro, colocar todos os seus problemas, defeitos, conflitos, como se fossem dos bêbados, putas, drogados da sua família, enquanto o narrador (você), onipotente, perfeito e onipresente, narra tudo. Não que eu seja crítico. Criticismo tem objetivo, e eu não tenho, o importante é o dinamismo, lembram?
Podemos citar o POP-Anti-Feminismo-Feito-Por-Pseudo-Feministas. Nestre grupo incluem-se Barbara Delinsky, Daniele Steele e outros autores que vendem seus livros em supermercado, como a Martha Medeiros, que juntos insistem em tornar a mulher, um ser vulnérável, vulgar e como se fosse feito de vulcan (borracha), não poderia perder a aliteração, como se fossem um brinquedo.
Podemos citar também o POP-DRAMA, que inclusive vem sendo chamado na Inglaterra de Litter-ature (Litera de Livro, sendo substituído por Litter, de Lixo). Uma coisa meio... Reader's Digest (Seleções), que muito bem definidas por um amigo, constituem um ramo novo de "Lixo-ratura" chamado, "Como-a-cirurgia-de-remoção-de-um-tumor-no-meu-cérebro-curou-a-saúde-financeira-da-firma-de-meu-pai." Sempre tem um "depoimento" de superação. Podemos encontrar em qualquer uma das "edições" (desculpe as aspas, mas é difícil crer que haja um "editor"), relatos de amputações, canceres, tumores (são coisas diferentes, dá pra criar mais drama), mortes, amores fracassados, perdas, danos (Ops, outra bela bosta, auto-ajuda, digo Lya Luft!). Dizem as más línguas do Instituto de Letras da UFRGS, que o Celso Luft, ex de Lya, está se revirando no túmulo desde o lançamento dessas merdas escritas pela sua viúva. A forma dele manifestar a indignação, é tornar ainda mais decadente o auditorio que leva seu nome. Demais né! Deve ser por isso que ninguém mais compra os dicionários dele. Aliás, vou escrever um dicionário, e depois que eu morer, vou mandar meus parentes imprimi-lo para pagar as despesas do meu funeral. Intrigante não, somente morto escreve dicionário: Luft, Aurélio Buarque de Holanda, Antônio Houiass... só na pombagira!
Voltando a Lya Luft, aliás, podemos identificar um livro de auto-não-tão-alta-ajuda, pelos seguintes dados:
1° Sempre usam um pronome interrogativo no título (como, quando, onde...)
2° Sempre usam um verbo de renovação ou espera, meio fênix (curar, recobrar, mudar, melhorar, tornar-se, vir...)
3° Sempre usam um substantivo plausível com a idéia do livro (vida, saúde, amor...)
4° Sempre usam um substantivo nada-a-ver com a idéia do livro, afinal, tudo é nada-a-ver (queijo, hamburger, cadeira, posição...)
5° Sempre fazem perguntas, mas não usam ponto de interrogação, digo, geralmente!
E.G. Como Mudar a Sua Cadeira, Quem curou minha vida, Quando melhorar sua vida, Onde ou Quando o amor não vem, etc. RIDICULA, Dalhe Martha!
Nossa mãe, nem sei como eu parei aqui. A sim, o Nacional, os chocolates. Pra completar meu desgosto, dei os chocolates que eu não gostava pra minha mãe (todos que induzem uma idéia de sentimento, fama, orgulho) tais como: Prestígio, Sensação, Diplomata, Sedução... e ela me devolve o seguinte comentário non-sense, " Filhotinho, você não está sentindo um gosto de veneno de barata no fim dos teus chocolates?" Nunca comi pra ver o gosto, mas que me deu uma vontade.... deu. O que acham, devo voltar ao Nacional 24h e comprar um pacote de bolachas maria? Boa Semana pra todos!
Recentemente, há pouco mais de um mês, me vi forçado a "por fim ao sofrimento" do meu cachorro Cocker Spaniel Amadeus, de quem tinha a companhia há 12 anos. Com a mão sobre o peito dele, à medida que percebia os batimentos cardíacos e a movimentação dos pulmões cessando, pus-me a questionar se de fato há uma diferença tão grande entre estar vivo e morto. Segundos.
Sentir aos poucos 12 anos de vida se esmaecendo sem com que pudesse fazer qualquer coisa, choca muito mais do que a morte em si. Das recordações, muito fica, basicamente de momentos tolos e bestas cuja importância jamais teria imaginado. Coisas que muitas vezes me aborreciam, como o choro durante a noite ou os banhos semanais quase semestrais.
Fica, antes de qualquer coisa, a sensação de derrota. A constante derrota. Estar vivo não é manter funcionando nossos órgãos vitais, mas morrer e gastar o funcionamento deles aos poucos. Vida não é constância, a não ser sob o ponto de vista da perda implacável que nos toma pouco a pouco sem que consigamos perceber. Quando percebemos, perdemos nossos hábitos, nossas micro-vidas enquanto a macro se desenrola. Sei que pareço mais louco ainda do que eu mesmo pensava que eu fosse.
Isaac Asimov disse certa vez de que a vida é agradável e a morte pacífica. Mas é a transição que nos é problemática. A diferença entre morte e vida, é a transição, o rito de passagem que não nos permite fazer nada, a não ser, de fato, constatar que estar vivo é morrer aos poucos.
Das coisas engraçadas, ficam milhares. Da sensação de ser uma gota d'agua em um oceano, também.
Nada disso tivesses acontecido, estaria, ainda, criticando a verborréia intelectualmente ofensiva da Luciana Gimenez, ou o simbolismo estúpido do carnaval. Enfim.
Certa vez, há alguns meses, recebi um imeil de uma amiga chamada Carolina de Pelotas/Rs. Não a respondi ainda, ela deva estar possessa. Lembrei-me dela por causa da forma com que ela me disse que Harold Bloom, por sua vez, descreveu os livros da Daniele Steele: Uma diarréia televisiva. Nem todo “romance” de Daniele Steele começa ruim. A idéia pode partir da mesma forma criativa quanto a um impulso criativo de Proust ou artístico de Cézanne, infinitamente superiores à mediocridade de Daniele Steeles e cia. Leia-se Paulo Coelho, livros que contenham "Como", "Queijo", "Hambúrguer", "Mudar" ou "Curar" no título. Umas porcarias. É o fluxo de crescimento, de desenvolvimento que lhes torna, com o perdão da palavra, uma bosta. É a transição.
É com a transição, com o movimento que nos chocamos com nossa insubordinação às forças superiores. É o princípio da incompletude, já defendido pelo cineasta Israelense Abbas Kiarostami. Nada se completa na vida, nada termina, somos de fato, para orgulho de Raul Seixas, metamorfoses ambulantes. É impossível terminarmos algo, ou sermos terminados. Somos eternos, inaniquiláveis. Nas palavras de Jean-Claude Bernardet, quem escreveu um livro analisando a obra de Kiarostami, o principio da incompletude faz com que nunca consigamos firmar os pés em um chão seguro. O que fica, então, não é a resposta a uma pergunta, ou a resolução de algum problema. O concreto na vida, ou na morte, é o não-saber, a hipótese, a possibilidade, a dúvida. O que importa na vida é que ela é uma constante busca, e em buscas não interessa o seu objetivo, mas o seu dinamismo. Não interessa o que nos faz viver, o que interessa é estarmos vivos. O que fica da vida é o movimento de quem não consegue fazer mais nada, enquanto vivo, a não ser, movimentar-se pelo desenrolar do tempo. Boa semana!
Acordei-me hoje ao som de uns tais de "sabia-bandeira" que minha mãe adora. E eu, odeio. Não existe pássaro mais chato no mundo. No começo eram apenas alguns, agora, acredito eu, devam haver uns trinta, ou perto disso.
Bom, de ódio justificado eu não tenho muito, eu acabo simplesmente odiando algo sem com que eu possa, ao menos conscientemente odiar. Não sou eu, é meu ID! Entendam por favor!
Bom, eu odeio esses passarinhos pelo seguinte: volta e meia - leia-se, sempre - eu estou de mal humor. E essas pragas lá, às 5 da manhã todos felizes e contentes e, imaginem, berrando em meu ouvido.
Passada minha epilepsia temperamental, fui à PUC, na volta, confesso ter sido tomado por uma onda de bom humor, que por mais que eu queira dizer que sim, não, não sei de onde veio. Me deitei na minha cama, e fiquei olhando para o teto, olhando como eu o pintei mal. Mas o reflexo da água da piscina no teto me acalmou.
Sentei-me me na minha mesa de "estudo" e começei a olhar e a perceber como o dia estava bonito, a luz, a temperatura, tudo. Seriam os Sabiás Bandeiras? Em parte sim, pois eles não estavam nas "imediações do indivíduo", como diria um oficial de polícia, havia algo de mágico.
Alguns segundo após meu hercúleo esforço de me sentir de bom humor, ouço uma voz, de cuja dona reconheci de imediato ser da Cláudia, a moça que trabalha aqui em casa, perguntando se eu queria que ela trocasse os lençois da minha cama, que estavam bem cinematográficos. Explico, eles estavam bem Olivia "Velha" Newton-John e/ou John "Gordo-Sapo" Travolta: Greasy [sebosos]. (Desculpe minha já costumeira ironia). Ao dizer que não, que eu já havia trocado os lençois e após sua saída do meu quarto, olhei novamente pela janela. Já não estava mais de bom humor, mas tinha estado e o motivo, quem diria, tão simples. Que diferença faz uma faxina nas janelas, não?
DICIONÁRIO DA TELE-DRAMATURGIA BRASILEIRA
Na iminencia de receber uma amiga minha Australiana e outra da Estônia, vindo para morar no Brasil - se a gente vai é imigrante ilegal, se eles vêm, é chique. Um safári, provavelmente. Decidi presentear os leitores deste humilde blog com algo que acredito eu, seja uma espécie de Guia Rápido para o Entendimento da Cultura Brasileira. Não ouse morar no Brasil, com QI inferior a 60 e não saber disso! Aí vai, o Guia das Modelos-Dançarinas-Apresentadoras-Participantes de Reality Show-Namoradas de Pagodeiros-Manequim, que segundo elas,
pasmem, modelo e manequim não é a mesma coisa. Elas alegam várias coisas, amigos,
in brief, uma dá e a outra não dá. Ou pelo menos assim não assume.
Antes, permitam-me um parenteses: Esses dias ví um criatura de quinta categoria, também pudera no programa do Odalgir Lazzari, com um papo de que era modelo de lingerie. A julgar pela cara da "prosti" logo concluí que deveria tratar-se de uma modelo, daquelas gordas, que tira fotos para aquelas empresas que vendem calcinha no centro das grandes capitais por R$ 1,99 o pacote com três. É bom porque em caso de menstruação, não ha necessidade de se trocar a calcinha pois mesmo lavada elas permanencem com a marca orgânica mais "femenina" como diriam os lisboetas, de todas: A Sangüera! Aí vai o dicionário:
ADRIANE GALISTEU - Viuva do Senna, Raimundinha (feia de cara e com a bunda pequeninha) e Apresenta o programa É show na Record.
LUIZA MELL - Ninguem sabe de onde veio, apresenta o TV fama ao lado de Nelson Rubens e, ACREDITE SE PUDER, é formada em direito.
LUCIANA GIMENEZ - Engravidou do Mick Jagger, apresenta Superpop na Rede TV.
CARLA PEREZ - Sentou na garrafa, deu pro Alexandre Pires e casou com o Xandi
*perigo* reproduçao de modelomanequimatrizapresentadoras em cativeiro.
SHEILAS - É o Tchan, uma namora com Alexandre Pires outra com o "Cumpadi Woshtu".
TIAZINHA - Depiladora, Super-Heroina, Casa dos Artistas, vê disco voador.
FEITICEIRA - É musculosa e dá pro Vitor Belfort... ou vice versa.
PATRICIA DE SABRIT - Fez uma novela, casou com o Fábio Junior, apareceu na Caras, se separou do Fábio junior e apareceu na Caras outra vez.
ANALICE NICOLAU - Imitava a Tiazinha, Casa dos Artistas e hoje apresenta o jornal do SBT com o cabelo penteado todo prum lado só.
CAROLINA MAGALHAES - É neta de Toninho Malvadeza, participou do Jovens Tardes, e deu pro Marcos Mion.
AXÉ BLOND - Todas dividem o mesmo neurônio.
BABI - Apresentou o Erótica MTV ao lado do Dr. Jairo Bower, substituiu Serginho Groisman no Programa Livre, escreveu um livro que ninguem leu, gravou um disco que ninguem escutou.
KELLY KEY - Casou com o Latino, Engravidou do Latino, virou cantora, separou do Latino, Casou com Mico, engravidou do Mico, paga mico na Band apresentando Cavaleiros do Zodiaco. Oooou beibe me leeeeeeeva...
LUMA DE OLIVEIRA - Irmã de Isis de Oliveira, tem uma coleira escrita Eike e briga com fotógrafos, adora vestidos estilo "windy pussy" e dá para todo o corpo de bombeiros do Rio.
MARI ALEXANDRE - Ex noiva do Vavá, participou da Casa dos Artistas e faz um "nú aristico" a cada cinco anos.
MARYEVA - Deu pro Guga. Já basta, né?
VIVIANE ARAUJO - Dançou pro Latino e hoje dá pro Belo.
THAMMY - Gretchen Jr e não consegue botar o bumbum no chão.
SYANG - Acha que é roqueira, mas na verdade, é bagaceira.
SABRINA SATO - Deu no BBB pro Dhomini e é burra pra caramb.
LULO SCROBACK - um dos raros modelomanequimatrizaoresentadora-macho, pelo menos na certidão de nascimento. Trabalhou na peça Casas de Cazuza, participou da Casa dos Artistas e sumiu.
PRETA GIL - Veio com aquele papinho de "sou gorda mas sou feliz" e depois fez a milagrosa dieta do Photoshop pra aparecer na capa da Boa Forma.
ELIANA - Fez tudo oque a Angelica e a Xuxa já tinham feito antes, mas só fez sucesso quando começou a usar os dedinhos na frente das crianças, ainda continua fazendo tudo oque a Xuxa e a Angelica já fizeram.
ROBERTO JUSTOS - Comeu a Galinhacéu, é o novo "estrelo" de O Aprendiz com Roberto Justus,
risos, ridíiiiiiiculo por sinal, e pretende rivalizar com seu Botóx o que foi para os Americanos, a "Experiencia Exorcistica" de tentar a milhares de mãos, escrever uma tese de dotourado sobre o cabelo do Donald Trump que segundo o "elemento" mesmo, não é peruca!
Apêndices (ìndice remissivo)
BIG BROTHER BRASIL (todas)
CASA DOS ARTISTAS (todas)
NO LIMITE (todas)
Ex-PAQUITAS (todas menos a Leticia Spiller, porque eu gosto dela).
VAI SERGINHO
Eu me acho super brega. A minha pseudo-prosa é tão ruim, e tão piegas, um amalgama entre ridicularidade e cafonagem mesmo. Por isso, decidi continuar com o meu feuzinho. Não quero mais escrever sobre como gosto de Gérberas, cheiro de pão e coisas do gênero. Isso vou guardar pra mim e pra Baco, com a minha garrafa de vinho.
On y va, Allez!
Viu o que deu as pessoas cantarem tanto, "vai serginho, vai serginho", pois é, ele foi. Não que ele não tivesse qualidades, até tinha. Me desculpem os futebolistas, mas, saber jogar futebol no Brasil não é qualidade, quando se é pobre e burro e não se quer estudar, é obrigação.
A imprensa toda fazendo o maior estardalhaço porque o tal de serginho morreu. Sério, de prático, qual o legado dele? Obvio que tem a parte idealista da plebe emburrecida brasileira. Não que eu esteja querendo culpar alguém, mas alguém deve ser responsabiliado pela péssima educação e senso crítico que uns tem pouco, e quanto ao senso crítico, outros têm em demasiado (sim, é uma constatação egocêntrica).
Aliás, que eu era crítico, eu já sabia, egocêntrico, só aos fins de semana, que por sinal, neste, tem Feira do Livro. Falei de pobres e sua burrice acima. Obviamente, devo dar um exemplo oposto para paupar a minha "imparcialidade". O caderno cultura da Zero Hora, que ninguém lê, acho que só eu, está péssimo este FDS. Fazendo um "entrevista" com Donaldo Schüller, que é um chato-de-galocha, está muita fraca. Ele deve se achr o máximo, pois estava fazendo o maior gênero na entrevista - padrão, diga-se de passagem - que lhe era feita.
Bom, de chato todo mundo tem um pouco, e eu, além de chato, descobri que sou egocêntrico, grosso, crítico e esquizofrênico. Tudo esse semestre, não é fantástico. Quanto a esquizofrenia, Edgar Lawrence Doctorow, escritor Americano, a quem eu acredito ser minha alma gêmea, ou pelo menos, prima, devido a nossa criticidade social e moral, me acalma um pouco pois segundo ele, o ato de escrever e criar personagens ou falar, simplesmente, por via escrita, é na verdade, a única forma de esquizofrênia socialmente aceita. Por enquanto eu vou ficando aqui com a minha esquizofrenia sociófila. É eu sei que um dia eu também vou, mas por enquanto...: "Foi Serginho, Foi Serginho".