Sunday, September 19, 2004

Sábado Reflexivo...

tenho a impressão que desencadeado pelo II Encontro Universitário Brasileiro de Segurança de Vôo. Engraçado... não me recordo do primeiro.

Acho que entre acidentes, sangue, formas de prevenir, ações pró-ativas e reativas, o meu lado necrófilo e por conseqüência dramático, despertou "nimin" aquela já famosa esquizofrênia criativa. Bom vamos às observações:

Resolvi ir ao cinema, fui ver o bastante auto-biográfico "O Terminal". Comento depois. Outra hora, tenho que pensar a respeito. Saído do cinema, resolvi voltar a pé, para casa, de madrugada, como eu sempre faço para ir pensando.

Pois bem, saí do "Bourgon Xope", como diz uma conhecida minha, e subi toda a Dom Pedro II até a Carlos Gomes que é bem próximo de onde moro. Vi muitas obras, casas de décadas destruídas, abandonadas, morcegos, ratos, mijo... Nada me chamou a atenção, além do fato de já haver placas de sinalização e de localização prontas, apontando ou sinalizando, adivinhem: nada. Placas prontas de caminhos não prontos. Segundo Baz Luhrmann, devemos seguir as placas e ler as direções mesmo que não as quisermos seguir.

Continuando no caminho, me deparei com um prédio dos anos 40, talvez 50, onde se pode ver alguns azulejos das paredes da garagem. Ajulejos antigos, opacos e porosos, não cerâmicos como os de hoje em dia. Fiquei imaginando se algum dia, não teria passado um Landau por ali, com uma menina, talvez, vestindo algo para uma festa. Talvez um début. Vestindo algo muito mais do que apropriado à época e à ocasião e que hoje, simplesmente, seria considerado cafona. Tal como o Landau (vulgo Banheira).

Voltando para casa, agora já na minha rua, me deparo com a passividade com que meu endereço encarou o "a mais implacável das coisas" nas palavras de Botton. O tempo. Nada, absolutamente nada, mudou. Por falar em nada, do nada me deu uma sensação de não pertencer à lugar algum. Me deu uma sensação de estar, perdido, no óbvio, e portanto, no conhecido.

Eternidade é a passividade à mudança, e a verdade é que quase tudo que conhecemos hoje, que já existia há 20 anos atrás, permanece inalterado, em essência. Mas ha um je ne sais quoi diferente. Talvez minha eloqüência não consiga descrever o que, pois, de fato, o je ne sais quoi quer dizer "eu não sei". Talvez meus filhos me olhem com a mesma cara de louco que eu o fiz, quando minha mãe, se pôs a explicar como era o bairro Bela Vista há 20 anos atrás. Louco né? Só para não perder o hábito. Vá entender.